Domingo, 3 de Outubro de 2010

Música - Edith Piaf

 

  

Edith Piaf, nome artístico de Edith Giovanna Gassion, (Paris19 de dezembro de 1915 — Grasse10 de outubro de 1963) foi uma cantora francesa de música de salão e variedades, mas foi reconhecida internacionalmente pelo seu talento no estilo francês da chanson.

O seu canto expressava claramente sua trágica história de vida. Entre seus maiores sucessos estão "La vie en rose" (1946), "Hymne à l'amour" (1949), "Milord" (1959), "Non, je ne regrette rien" (1960). Participou de peças teatrais e filmes. Em junho de 2007 foi lançado um filme biográfico sobre ela, chegando ao cinemas brasileiros em agosto do mesmo ano com o título "Piaf - Um Hino Ao Amor" (originalmente "La Môme", em inglês "La Vie En Rose"), direção de Olivier Dahan.

Édith Piaf está sepultada na mais célebre necrópole parisiense, o cemitério do Père-Lachaise. Seu funeral foi acompanhado por uma multidão poucas vezes vista na capital francesa. Hoje, o seu túmulo é um dos mais visitados por turistas do mundo inteiro.

Primeiros Anos

Ela nasceu como Edith Giovanna Gassion[1] em Belleville, um distrito cheio de imigrantes em Paris. Uma lenda diz que ela nasceu na calçada da Rue de Belleville 72, mas sua certidão de nascimento cita o Hôpital Tenon,[2] que faz parte de Belleville.

Ela recebeu o nome de Édith em homenagem a uma enfermeira britânica da Primeira Guerra Mundial que foi executada por ajudar soldados franceses a escapar dos alemães.[3] Piaf, um nome coloquial francês para um tipo de pardal, foi um apelido dado a ela vinte anos depois.

Sua mãe, Annetta Giovanna Maillard (1895–1945), era pied-noir, mais especificamente de ascendência franco-italiana por parte de pai e cabila-berbere por parte de mãe. Ela trabalhava como cantora em um café com o pseudônimo de Line Marsa. Louis-Alphonse Gassion (1881–1944), o pai de Édith, era normando e acrobata de rua[4] com um passado no teatro. Os pais de Edith abondonaram-na cedo, e ela viveu por um curto período de tempo com sua avó materna, Emma (Aïcha) Saïd ben Mohammed (1876–1930). Sua avó não cuidava dela direito, deixando-a em uma saleta e sem tomar conta direito de sua higiene, ela ficou 18 meses com a avó até seu pai ir buscá-la. Antes de se alistar na armada francesa em 1916 para lutar na Primeira Guerra Mundial, o pai de Edith pegou-a de volta e levou-a para sua mãe cuidar, esta por sua vez trabalhava em um bordel em Bernay, na Normandia. Lá, prostitutas tomaram conta da pequena Édith.

Dos três aos sete anos, Piaf ficou supostamente cega devido a uma queratite. De acordo com uma de suas biografias, ela curou-se depois que as prostitutas da casa em que vivia levaram-na para orar no túmulo de Santa Teresa de Lisieux (conhecida popularmente como Santa Teresinha). Devido a esse episódio, Edith conservou um devoção a Santa Teresinha por toda sua vida.

Em 1922 o pai levou Edith do prostíbulo para viver em sua companhia enquanto trabalhava em pequenos circos itinerantes. Em 1929, aos 14 anos, seu pai que fazia performances acrobáticas nas ruas de toda França, época em que Édith cantou pela primeira vez em público.[5]

Com 15 anos, ela deixou seu pai e foi viver em um quarto no Grand Hôtel de Clermont (na Rua Veron, 18 de Paris) indo sozinha cantar nas ruas mais especificamente no Quartier PigalleMénilmontant e subúrbios de Paris. Ela juntou-se a uma amiga, Simone Berteaut ("Mômone")[2] no seu esforço, e as duas tornaram-se parceiras em travessuras.[5] Piaf estava com 16 anos quando se apaixonou por Louis Dupont, um entregador.[5]

Aos 17, Edith teve sua única filha, Marcelle, que morreu de meningite com 2 anos de idade em 7 de julho de 1935.[4] Como a mãe, Piaf encontrou dificuldade em cuidar da filha enquanto vivia de cantoria nas ruas, por isso frequentemente deixava Marcelle para trás, Dupont criou a criança até sua morte.[5]

O próximo namorado de Piaf era um cafetão chamado Albert que cobrava comissões do dinheiro que ela ganhava nas ruas cantando em troca de não forçá-la a se prostituir. Uma das amigas de Piaf, Nadia, suicidou-se quando encarou o fato de tornar-se prostituta, e Albert quase forçou Édith a tornar-se uma quando ela terminou o namoro em reação a morte de Nadia.[5]

Carreira

Em 1935, Piaf foi descoberta cantando na rua da área de Pigalle por Louis Leplée, dono do cabaré Le Gerny's, situado na avenida Champs Élysées, em Paris. Foi ele quem a iniciou na vida artística e a batizou de "la Môme Piaf",[1] uma expressão francesa que significa "pequeno pardal" ou "pardalzinho", pois ela tinha uma estatura baixa (1m 42 cm). Lepleé, vendo o quão nervosa Piaf ficava ao cantar, começou a ensinar-lhe como se portar no palco e disse-lhe para começar a usar um vestido preto quando se apresentasse, vestuário que mais tarde se tornou sua marca registrada como roupa de apresentação.[5] Ele também fez enorme campanha para a noite de estréia de Piaf no Le Gerny's, o que resultou na presença de várias celebridades, como o atorMaurice Chevalier.[5] e a grande vedette do music Hall, Mistinguett. Foi durante suas apresentações no Le Gerny's que Piaf conheceu o compositor Raymond Asso e a compositora Marguerite Monnot, que se tornou sua parceira e grande e fiel amiga por toda sua vida.[5] É de Marguerite composições como "Mon légionnaire""Hymne à l'amour""Milord" e "Les Amants d'un jour".

No ano seguinte (1936), Piaf assina contrato com a Polydor e lança seu primeiro disco "Les Mômes de la Cloche", que se torna sucesso imediato. Mas no dia 6 de abril desse mesmo ano, Leplée é assassinado em seu domicílio. Piaf é interrogada e acusada de cúmplice, mas acabou sendo absolvida mais tarde. Ele foi morto por bandidos que tiveram, num passado não muito distante, laços com Piaf.[6] o que gerou uma atenção negativa sobre ela por parte da mídia, ameaçando, assim, sua carreira.[5] Para reerguer sua imagem, ela retoma contato com Raymond Asso, com quem, mais tarde, ela também viria a se envolver romanticamente. Raymond passou a ser seu novo mentor e foi ele quem mudou o nome artístico dela de "La Môme Piaf" para "Édith Piaf" e encomendou a Marguerite Monnot canções que tratassem unicamente do passado de Piaf nas ruas.[5] A partir deste reencontro, Raymond começou a fazer Piaf trabalhar arduamente para se tornar uma cantora profissional de Music Hall.

Entre 1936 e 1937, Piaf se apresentou no Bobino, um music hall no bairro Montparnasse. Em março de 1937, ela estréia no music hall ABC, onde ela se torna imediatamente uma imensa vedete da canção francesa, amada pelo público e difundida pela rádio. Em 1940 estréia no teatro em uma peça de Jean Cocteau Le Bel Indifférent,[5] escrita especialmente para ela, e que a fez contracenar com seu então companheiro, o ator Paul Meurisse. Ao lado de Paul, ela estréia em um filme em 1941Montmartre-sur-Seine de Georges Lacombe.

Durante a ocupação alemã na França, Piaf continua seus shows. Muitos a consideraram uma traidora, mas seguindo a guerra, ela declarou que trabalhou a favor da resistência francesa. Na primavera de 1944, Piaf conhece o jovem cantor Yves Montand e passa a ser sua mentora[2] e amante.[6]

Em 1945, Piaf escreveu uma de suas primeiras canções: "La Vie en rose", a canção mais célebre dela e seu grande clássico. Em 1946, Montand estréia no cinema ao lado de Piaf em Étoile sans lumière. Neste ano também o romance terminaria para os dois. Piaf acaba desfazendo o relacionamento quando ele está perto de alcançar o mesmo sucesso dela.

Durante esse tempo Piaf estava fazendo muito sucesso em Paris e em toda França. Após a guerra, tornou-se famosa internacionalmente, excursionando pela EuropaEstados Unidos e América do Sul. Entretanto, de início ela se deparou com pouco sucesso entre o público norte-americano. Mas, após a publicação de brilhante matéria de proeminente crítico de Nova Iorque,[5] Piaf viu seu sucesso crescer ao ponto de sua popularidade levá-la a se apresentar oito vezes no Ed Sullivan Show e duas vezes no Carnegie Hall (1956 e 1957).

Em 1947, ela faz seus primeiros shows nos Estados Unidos. Em 1948 durante sua volta aos Estados Unidos, ela conhece o grande amor de sua vida,[1] o pugilista Marcel Cerdan. Marcel de nacionalidade francesa, mas nascido na Algéria, era casado na época e iniciou um tórrido romance com Édith Piaf. Pouco tempo depois dos dois se conhecerem, Marcel tornou-se campeão mundial de boxe. Em 28 de outubro de 1949, Marcel morreu em acidente de avião em um vôo de Paris para Nova Iorque,[7] onde a iria reencontrar. Arrasada pelo sofrimento e também pelo sofrimento de poliartrite aguda, Édith Piaf começa a se aplicar fortes doses de morfina. Seu grande sucesso "Hymne à l'amour" e "Mon Dieu", foram cantados por Édith em sua memória.

Em 1951, o jovem cantor Charles Aznavour converte-se em seu secretário, assistente, chofer e confidente. Ela ajudou a decolar sua carreira, levando-o em turnê pelos EUA e pela França e gravando algumas de suas músicas. Em setembro de 1952 casa-se com o célebre cantor francês Jacques Pills, do qual se divorcia em 1956.

Começa uma história de amor com Georges Moustaki ("Jo"), que Édith lança para a música. Ao seu lado sofreu um grave acidente automobilístico no ano de 1958, e piora seu já deteriorado estado de saúde e sua dependência em morfina. Edith grava novo sucesso, a canção "Millord", da qual Moustaki é o autor.

Em 1962, Piaf casa-se com Théo Sarapo (Theophanis Lamboukas),[5] um cabeleireiro grego que se tornou posteriormente cantor e ator, 20 anos mais novo do que ela.

Morte

Edith Piaf morreu em 10 de outubro de 1963 em Plascassier (na localidade de Grasse nos Alpes Marítimos) aos 47 anos, com a saúde abalada pelos excessos, pela morfina e todo o sofrimento de uma vida.

Ela alugara uma mansão de 25 cômodos perto da praia, onde passou dois meses de descanso com amigos e com o marido. Segundo seu acordeonista, Marc Bonel, foi um período de muitos gastos: almoços e jantares para 30 ou 40 pessoas todos os dias, regados a champagne e a uísque.

Piaf, por medida de economia, transferiu-se para uma herdade em Plascassier, apenas com a enfermeira, o acordeonista e a secretária, o empresário e o marido, que a essa altura, trabalhava num filme em Paris para "assegurar o dinheiro do casal", como dizia a própria Piaf.

Morreu em consequência de uma hemorragia interna, em coma. Como disse certa vez um documentário, "sem um grito, sem uma palavra..." O transporte de seu corpo a Paris foi feito clandestina e ilegalmente e seu falecimento foi anunciado oficialmente em 11 de outubro em Paris. Édith faleceu no mesmo dia que seu amigo Jean Cocteau. Édith foi enterrada no cemitério do Père-Lachaise, (division 97).

Grandes Amizades

Édith Piaf influenciou grande parte dos artistas de sua época. Tornou-se, principalmente, uma ponte para que estes se conhecessem; geralmente seu círculo de amizade se encontrava em sua casa. Foi na residência da cantora que grandes nomes da música francesa tiveram o primeiro contato e em diversas vezes iniciaram maravilhosas parcerias musicais, como por exemplo, Gilbert Bécaud, Jacques Pills (célebre cantor francês com quem a intérprete se casou em setembro de 1952), Jacques Plante, Louis Amade, Charles Aznavour (com quem também teve um caso amoroso), Jean Broussolle, Yves Montand, Jacques Prévert, Francis Lemarque, entre tantos outros, hoje também consagrados na história fonográfica da França e do mundo.

Segundo Marc Robine em seu livro «Il était une fois La chanson française : Des trouvères à nos jours», é na casa de Piaf que Gilbert Bécaud começa sua amizade com Charles Aznavour com quem ele escreverá diversas canções cujas algumas como Mé qué me qué ou La Ville, serão registradas por cada um deles, interpretadas e preparadas de maneira bem diferente. É ainda na casa da cantora que Bécaud reencontra Jean Broussolle – das Compagnos de La Chanson – que lhe escreverá as letras de Alors, raconte; as quais Compagnons registraram, no curso de sua longa carreira, uma gama de canções de Bécaud e Aznavour. Ainda na residência de Piaf, Charles Aznavour conhecerá Jacques Plante que virá a ser um de seus grandes colaboradores (For me…formidable, La Bohème, Les Comédiens…). Assim, pouco a pouco, o círculo de relações e de colaborações de Piaf foi se alargando ainda mais. Numa época que, imediata ao pós-guerra, via nascer toda uma nova geração de artistas, não só a cantora teve apoio incondicional de seus amigos, todos maravilhosos profissionais de música, mas também ajudou na carreira de muitos deles.

Discografia

Brasileira

  • La Vie En Rose
  • The Very Best Of Edith Piaf (1990)
  • Édith Piaf: 30 Anniversaire (2000)
  • Saprrow Of Paris (2002)
  • Tu Es Partout (2002)
  • Hymme À L'Amour (2007)
  • Platinum Collection - Digipack Edith Piaf
  • La Historia: Box Édith Piaf (2008)
  • Coleção Forever: Édith Piaf (2008)
  • L'accordéoniste (1940)
  • La Vie en Rose (1945)
  • Les trois cloches (1946)
  • Hymne à l'amour (1950)
  • Padam… Padam… (1951)
  • Sous le ciel de Paris (1954)
  • Non, je ne regrette rien (1956)
  • Les amants d'un jour (1956)
  • Mon manège a moi (Tu me fais tourner la tête) (1956)
  • Milord'(1959)
  • Jézebel(1951)
  • Johnny, tu n'es pas an ange (1953)

As grandes canções de Édith Piaf

  • L'accordéoniste (1940)
  • La Vie en Rose (1945)
  • Les trois cloches (1946)
  • Hymne à l'amour (1950)
  • Padam… Padam… (1951)
  • Sous le ciel de Paris (1954)
  • Non, je ne regrette rien (1956)
  • Les amants d'un jour (1956)
  • Mon manège a moi (Tu me fais tourner la tête) (1956)
  • Milord'(1959)
  • Jézebel(1951)
  • Johnny, tu n'es pas an ange (1953)

publicado por José A. Carvalho às 15:17
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